Vânia Marques – Folha Agrosul
A situação do cafeicultor é tão dramática que levou o presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Poços de Caldas – Cafepoços, Luiz Alfredo de Almeida, a enviar uma carta para o Conselho Nacional do Café, órgão que representa todas as cooperativas e associações brasileiras de café, denunciando a situação do cafeicultor, principalmente o de áreas montanhosas e manifestando indignação com relação ao tratamento dado pelos bancos brasileiros e estrangeiros aos cafeicultores. A carta foi entregue, em mãos, ao Presidente do CNC, Gilson Ximenes, durante a abertura do 34º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, que está acontecendo em Caxambu, de 3 a 6 deste mês.
Na carta, o presidente da Cafepoços denuncia a prática dos bancos no momento do repasse do dinheiro liberado pelo Funcafé aos produtores, que segundo ele, fica condicionado a garantias acima da necessidade, além da exigência da compra de produtos do banco. A Cafepoços estende sua crítica às cooperativas de crédito, que estariam se “equiparando aos bancos comerciais”, não atendendo aos seus associados.
A carta sugere a criação, por parte do CNC e do CDPC – Conselho Deliberativo da Política Cafeeira, de um banco específico e exclusivo da cafeicultura, administrado pela classe produtora de café e com agências somente nas regiões de concentração de produção cafeeira, um exemplo do que acontece na Colômbia, Costa Rica e Equador.
Por fim, a Cafepoços suplica, em nome dos cafeicultores manuais, que sejam disponibilizadas condições diferenciadas de financiamentos para produtores de áreas mecanizadas, onde o custo de produção pode ser de R$36,00 e de áreas mecanizadas, onde o custo pode ser de R$ 132,00.
E, ainda, que sejam disponibilizados recursos para os cafeicultores que quiserem, a partir de agora, encerrar a atividade da cafeicultura de montanha.
Leia mais sobre o assunto, além de uma entrevista com o presidente da Cafepoços, Luiz Alfredo de Almeida, na próxima edição da Folha Agrosul (Ed. 150 – novembro 2008)