Banana: produtor mineiro quer reiniciar exportações
Prata-anã e caturra orgânica têm boa aceitação na Europa
BELO HORIZONTE (19/01/2010) – Um grupo de produtores de banana, organizado pela Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), vai participar da Frutilogística, a maior feira comercial de frutas do mundo. Durante o evento, que será realizado na primeira semana de fevereiro em Berlim, capital da Alemanha, os empresários mineiros farão contatos para reiniciar as exportações de banana no segundo semestre. As vendas foram prejudicadas pela crise financeira mundial.
De acordo com o presidente da Abanorte, Dirceu Colares, a entidade espera encontrar um clima favorável à realização de negócios na Europa, apesar de alguns países ainda sentirem os reflexos da crise econômica. “Na feira, vamos expor e oferecer à degustação a banana prata produzida em Minas Gerais. Além disso, o evento é uma boa oportunidade para a prospecção de negócios, e vamos procurar potenciais parceiros que possibilitem a expansão dos mercados para o nosso produto”, explica o dirigente.
Colares diz que os produtores estão interessados principalmente em garantir o prosseguimento do programa de exportação da prata-anã para a Inglaterra. Criado há dois anos pela Cooperativa Coprata, de Montes Claros, esse programa possibilitou o fornecimento de 100 caixas da banana prata-anã, por semana, a uma processadora de São Paulo e esta incluía o produto em diversas saladas destinadas ao mercado inglês. As vendas eram feitas pela rede de supermercados Mark & Spencer e foram interrompidas por causa da crise econômica mundial a partir do segundo semestre de 2008.
Segundo o empresário, a banana prata produzida em Minas tem alta qualidade alimentícia e ganhou espaço nas mesas dos ingleses com seu sabor discreto. Além disso, ele acrescenta, o aspecto da fruta não se altera mesmo depois de uma longa permanência na despensa. “Portanto, logo que a Inglaterra superar os efeitos da crise acreditamos que o programa de exportação da banana prata-anã será reiniciado”, enfatiza Colares.
O empresário também acrescenta que os produtores estão preocupados com a baixa cotação da banana prata-anã no mercado interno, média de R$ 16,00 para a caixa de 21 quilos, na comparação com os preços entre R$ 20,00 e R$ 22,00 registrados em 2009. “A possibilidade de exportar atrai os produtores porque no mercado externo a receita é melhor”, observa Colares. “Os esforços para expandir o mercado externo da banana produzida em Minas estão concentrados na prata-anã porque, atualmente, o mercado da caturra (ou nanica) é de difícil acesso para os brasileiros. “As exportações da fruta são dominadas por multinacionais com representação principalmente nos países da América Central”, finaliza.
Caturra orgânica
O empresário Márcio Nomura conseguiu superar a barreira das exportações de banana caturra oferecendo aos alemães um produto diferenciado. Em sua propriedade no Projeto Jaíba, na região Norte de Minas, a fruta é cultivada dentro dos princípios orgânicos. Ele afirma que é o único exportador de banana caturra orgânica no Brasil e antes da crise econômica mundial colocou mais de 18 mil quilos do produto na Alemanha.
“O amadurecimento da caturra, depois da colheita, é mais demorado e isso representa uma grande vantagem na exportação, porque o produto chega ainda verde aos portos internacionais”, diz Nomura. “A fruta transportada em navios dotados de contêineres refrigerados a 13,5 graus pode viajar até um mês e ainda assim chegará ao destino antes de amadurecer”, enfatiza o produtor.
Para Nomura, a comercialização com a Alemanha foi uma boa experiência porque a caturra orgânica alcançou uma cotação média de 15 euros ou cerca de R$ 30,00 a caixa na fase de maior procura. “No mesmo período, a cotação média no mercado interno era R$ 10,00”, destaca o produtor. Por isso ele acha indispensável a melhoria do câmbio para o reinício das exportações da banana caturra orgânica. “A comercialização nos mercados internacionais compensa os investimentos exigidos para a produção orgânica”, destaca Nomura, que considera a feira de Berlim uma boa oportunidade para a expansão dos negócios.
Liderança do Norte
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Minas Gerais produz banana em volume suficiente para atender ao mercado interno e ainda satisfazer à demanda externa. A safra estadual da fruta, em 2009, teve um aumento de quase 17%, pois a produção foi da ordem de 617 mil toneladas, na comparação com as 536 mil toneladas do ano anterior.
De acordo com análise da Superintendência de Política e Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura de Minas, a região Norte continua na liderança da produção mineira de banana, respondendo por mais de 50% da safra estadual. Os maiores produtores da fruta são os municípios de Jaíba, Janaúba, Matias Cardoso, Nova Porteirinha e Varzelândia. Esse grupo produziu 229,8 mil toneladas de banana em 2009, um salto de 90,9% em relação ao período anterior, que teve o registro de 120,4 mil toneladas.
O segundo lugar na produção estadual de banana é do Sul de Minas, que responde por 14,71% do total registrado. Já a região Central está no terceiro lugar, com 8,71% da produção mineira, e o Rio Doce vem a seguir com 6,89% da safra estadual.
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