Projeto Balde Cheio
O objetivo do PROJETO BALDE CHEIO é promover o desenvolvimento da pecuária leiteira
Um dos problemas da pecuária leiteira do Brasil é que muitas das informações geradas nas instituições de ensino e pesquisa não chegam aos produtores, principalmente os de pequeno porte. Uma das causas dessa não aplicação de técnicas é o desconhecimento pela maioria dos extensionistas sobre o significado de produzir leite de forma intensiva e sustentável. O objetivo do projeto é o de promover o desenvolvimento da pecuária leiteira na região de atuação de extensionistas vinculados a instituições públicas ou privadas, por meio de transferência de tecnologia, utilizando uma metodologia inovadora, na qual uma propriedade leiteira de cunho familiar transforma-se numa “sala de aula prática”, denominada UD (Unidade de Demonstração), onde o conhecimento de todos os envolvidos (pesquisadores, extensionistas e produtores) é atualizado. A partir do implantação do projeto a UD passa a ser uma referência na região, permitindo que outro produtores acompanhem o trabalho de viabilização da produção de leite sob vários aspectos: técnico, econômico, social e ambiental.
HISTÓRICO Quando a equipe da Embrapa Pecuária Sudeste deu início em 1.998 ao que é hoje o Projeto Balde Cheio, não se imaginava o alcance que esse projeto poderia ter. A intenção era fazer algo mais do que simplesmente proferir palestras ou escrever artigos científicos que poucos iriam ler e mesmo assim, se tentassem aplicar o que estava escrito, teriam muitas dificuldades, devido à complexidade da atividade leiteira. A própria equipe do Projeto, ao aplicar as tecnologias vigentes, teve que adaptá-las a cada situação das propriedades participantes. A responsabilidade exigida no início do trabalho era condescendente com todos envolvidos e ao longo do tempo foi sendo gradativamente alterada, no sentido de uma cobrança mais acentuada de cada participante.
No início este trabalho era chamado de Projeto de Agricultura Familiar – Leite e posteriormente mudou para Projeto de Viabilidade Leiteira em Propriedades Familiares. A seguir ficou conhecido como Projeto de Viabilidade da Produção de Leite em Pequenas Áreas e por fim Projeto de Viabilidade da Produção de leite em Pequenas Áreas de Propriedades Familiares, praticamente um resumo do projeto e não um título, até surgir o nome Balde Cheio sugerido pelo extensionista, o engenheiro agrônomo Adalberti Stivari da regional de Dracena da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), entidade da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atua de modo semelhante à EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) nos demais Estados brasileiros.
METODOLOGIA Uma propriedade por município é selecionada pelo extensionista interessado, devendo ter preferencialmente o seguinte perfil: ser de pequeno porte (a partir de 0,5 ha), que tenha na atividade leiteira sua principal fonte de renda, para que sirva como exemplo a outros produtores na mesma situação, e que seja de cunho familiar, para que não haja interferência no aprendizado das pessoas envolvidas.
Selecionada a propriedade e esta sendo aprovada pela equipe do projeto, o proprietário deverá responder um questionário que identificará além de seu sistema de produção, aspectos relacionados à situação sócio-econômico da família, bem como questões referentes ao ambiente. A visita de um integrante da equipe do projeto ocorrerá a cada quatro meses durante o tempo do trabalho, que é de quatro anos, totalizando doze visitas de acompanhamento. Nessas visitas, além do integrante da equipe, deverão estar presente: o extensionista responsável outros pela UD e o produtor. A presença de mais pessoas, ou seja, outros técnicos e produtores de leite da região, deve ser incentivada. O extensionista responsável pela UD, deverá visitá-la periodicamente, na freqüência mínima de uma vez por mês.
O produtor de leite que aceitar ser uma UD, terá o direito de ser assistido pelos técnicos do Projeto, desde que cumpra com as seguintes obrigações: (a) realizar de imediato, exames para detecção de brucelose e tuberculose, descartando animais positivos; (b) permitir que sua propriedade seja visitada por outros produtores e outros técnicos; (c) fazer sempre o que for combinado entre os envolvidos e (d) passar a anotar controles básicos como chuva, temperaturas máxima e mínima, despesas e receitas da atividade leiteira, parições, coberturas e controles leiteiros (pesagem ou medição uma vez ao mês, do leite produzido por cada uma das vacas em lactação).
No primeiro ano de trabalho, serão aplicados conceitos visando equacionar a alimentação do rebanho tanto no período das águas (pastagens) como na estação seca do ano (cana de açúcar ou silagem). No segundo e terceiro anos, temas como o manejo reprodutivo do rebanho, criação de bezerras e novilhas, sanidade e ambiência, farão parte das discussões. No último ano a ordenha e a qualidade do leite serão abordadas com maior ênfase.
Técnicas adequadas a cada propriedade são propostas e discutidas por todas as pessoas presentes na visita quadrimestral. Desta forma, a solução mais viável possivelmente será encontrada e a cada visita os problemas vão sendo solucionados e novas perspectivas vislumbradas.
Para que o acompanhamento das UDs seja eficaz e a evolução do trabalho possa ser mensurada, alguns materiais são necessários:
1. planilhas para preenchimento no campo pelo produtor, referentes aos controles climáticos, econômicos e zootécnicos;
2. análise do solo
3. exames para detecção de brucelose e tuberculose;
4. levantamento plani-altimétrico detalhado da propriedade;
5. identificação dos animais via brincos numerados;
6. fita para pesagem de animais;
7. pluviômetro;
8. termômetro de máxima e mínima;
9. quadro circular para gerenciamento da reprodução do rebanho e
10. quadro circular para gerenciamento do desenvolvimento das fêmeas em crescimento.
Os itens 1 e 2 ficarão sob responsabilidade do proprietário da UD. Como contrapartida por permitir que sua propriedade seja transformada numa “sala de aula prática”, as despesas decorrentes dos itens 3 a 10, ficarão a cargo do extensionista responsável pela UD ou da instituição ou empresa ao qual esteja vinculado, lembrando que o item 3 somente será pago no primeiro exame.
O desempenho do extensionista será avaliado pela número de Propriedades Assistidas (PAs), exclusivamente por ele e pela qualidade do trabalho nessas propriedades. No grupo das PAs incluem-se todo tipo de propriedades, independentemente do porte, tamanho do rebanho ou condição sócio-econômica do proprietário.
TECNOLOGIAS UTILIZADAS Um dos principais motivos do bom desempenho das propriedades participantes é a aplicação integrada de um conjunto de tecnologias de processo e de gestão que ampliam o potencial de produção de cada sistema. As principais tecnologias são:
- manejo intensivo de pastagens tropicais irrigadas
- utilização de cana de açúcar + uréia na época seca
- sobresemeadura de gramíneas de clima temperado
- utilização de sub-produtos na alimentação dos animais
- controles zootécnicos
- quadro dinâmico de controle reprodutivo
- planilha de avaliação econômica e zootécnica
- quadro dinâmico de crescimento de novilhas
- descarte e seleção de animais
- práticas de redução do impacto ambiental da atividade leiteira
- melhoria do conforto e bem estar animal
- técnicas de produção higiênica de leite
- melhoramento genético
- implantação de construções rurais de baixo custo (cocho-trenó, bebedouro carrapato, criação de bezerros em estacas, utilização de madeira plástica, etc.)
- estabelecimento de calendário de manejo da sanidade animal
PARCERIAS Uma das principais estratégias do Projeto Balde Cheio são as parcerias efetuadas com diversos tipos de entidades públicas (órgãos de assistência técnica e extensão rural vinculados às Secretarias Estaduais de Agricultura, prefeituras, departamentos de agricultura municipais e instituições de ensino e pesquisa, instituições financeiras, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, INCRA, ITESP) e privadas (cooperativas, industrias de laticínios, associações, sindicatos rurais, federações de agricultura, SEBRAE, instituições de ensino e pesquisa, profissionais autônomos).
O envolvimento de parceiras distintas entre diferentes elos da cadeia produtiva do leite, confere ao projeto uma base sustentável e dinâmica, colaborando para a formação de uma rede de trabalho onde ocorre uma intensa troca de informações e conhecimentos.
SITUAÇÃO ATUAL Devido aos bons resultados obtidos nas diversas regiões de atuação, a demanda para a implantação do Projeto Balde Cheio tem sido crescente.
Na tabela abaixo, estão relacionados os Estados, as respectivas parceiras, o número de municípios participantes e a quantidade de propriedades assistidas.
TADOS |
PARCERIAS |
ACRE |
MAPA, SENAR, Secretaria Estadual da Agricultura, CIATER, Laticínio, prefeituras |
BAHIA |
Banco do Nordeste, prefeituras |
MATO GROSSO DO SUL |
AGRAER, INCRA, CONFEPAR, prefeituras |
MINAS GERAIS |
FAEMG, cooperativas, laticínios, sindicatos rurais, prefeituras |
PARANÁ |
CONFEPAR e prefeituras |
RIO DE JANEIRO |
FAERJ, SENAR SEBRAE, prefeituras |
RIO GRANDE DO SUL |
Associação dos Produtores da região de Pelotas |
RONDÔNIA |
prefeituras |
SANTA CATARINA |
CONFEPAR, CRAVIL e prefeituras |
SÃO PAULO |
CATI, SEBRAE, COONAI, CLG, Sindicato Rural de Guaratinguetá, prefeituras |
Para atendimento da demanda pelo trabalho do Projeto Balde Cheio, técnicos já treinados por esta metodologia serão credenciados como instrutores e irão coordenar novas regiões na capacitação dos extensionistas locais.
COMO PARTICIPAR? Produtores e técnicos interessados em participar do projeto deverão entrar em contato com a equipe da Embrapa Pecuária Sudeste pelo telefone (16) 34115600 ou pelo e.mail: sac@cppse.embrapa.br, onde ficarão sabendo de mais detalhes para inclusão de seu município ou de sua região.